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Do eyemaxxing à correção de tons da pele, entender como as cores se relacionam pode transformar a maneira como você escolhe sombras, blushes, batons e bases. Aos detalhes!
Você provavelmente já percebeu que existe aquela sombra que faz seus olhos parecerem mais claros, um blush que deixa a pele imediatamente mais viva e até uma base que, depois de alguns minutos, parece simplesmente ter escolhido o subtom errado. Coincidência? Nem sempre. Por trás dessas diferenças existe uma ferramenta que os maquiadores conhecem bem: a teoria das cores.
O assunto ganhou uma nova vida com o eyemaxxing, tendência que viralizou nas redes sociais propondo uma maneira estratégica de destacar a cor natural dos olhos. A lógica é simples: em vez de usar necessariamente uma maquiagem elaborada, a técnica aposta em tons que criam contraste com a íris. O resultado é um olhar que parece mais intenso sem precisar de grandes quantidades de produto.
Mas o círculo cromático não serve apenas para escolher a sombra perfeita. A mesma lógica pode ajudar a decidir o tom do blush, encontrar uma cor de batom que valorize o rosto e, talvez mais importante, corrigir produtos que ficaram quentes, frios, claros ou escuros demais.

O mix de cores
Na teoria das cores, tons posicionados em lados opostos do círculo cromático são chamados de complementares. Quando colocados próximos, eles criam contraste e fazem um ao outro parecer mais evidente. É exatamente esse princípio que está por trás do eyemaxxing. Para olhos azuis, por exemplo, cores quentes como pêssego, cobre, terracota e vermelho criam um contraste que pode fazer o azul da íris parecer mais vibrante. Já os olhos verdes ganham destaque com tons avermelhados e arroxeados, como vinho, ameixa e malva. Nos olhos castanhos, a variedade é maior: verdes, azuis, roxos, dourados e bronzes podem enriquecer diferentes nuances da íris. Para os olhos cor de mel ou avelã, tons de bordô e berry ajudam a evidenciar os pequenos reflexos verdes, dourados e marrons.
Isso não significa que essas sejam regras rígidas. A cor dos olhos não é uniforme e pode mudar de aparência dependendo da iluminação, da intensidade da maquiagem e das cores usadas ao redor. O círculo cromático funciona mais como uma bússola do que como um manual de instruções.
Eyemaxxing: o olhar como ponto de partida
A parte mais interessante da tendência é justamente não exigir uma superprodução. Um lápis colorido rente aos cílios, uma sombra aplicada de maneira transparente ou até uma máscara em um tom estratégico já podem produzir o efeito. Para uma versão discreta, experimente um delineador na cor complementar à sua íris.
Segundo a maquiadora Tasha Reiko Brown, entrevistada pela ELLE, justamente o uso de cores contrastantes permite criar impacto com pouco produto. E não precisa parar nos olhos. O mesmo princípio pode orientar a escolha do blush e do batom. Afinal, maquiagem é uma composição: cada cor interfere visualmente nas que estão ao redor.
E o blush?

Aqui, a conversa fica mais interessante. Em vez de pensar apenas em “qual blush combina com meu tom de pele?”, vale observar em qual efeito você quer criar. Peles com aparência mais amarelada ou dourada podem ganhar frescor com rosas frios, enquanto tons de pêssego, coral e terracota reforçam uma sensação mais quente e ensolarada. Em peles com fundo rosado, rosas, malvas e berries podem conversar naturalmente com a temperatura da pele, enquanto tons mais quentes criam contraste.
Mas a escolha não precisa seguir apenas a lógica da coloração pessoal. O contraste também pode ser intencional. Um blush coral sobre uma pele de aparência mais fria, por exemplo, pode criar justamente aquela sensação de calor que você procura. É por isso que a teoria das cores é tão útil: ela não diz apenas o que “fica bonito”, mas ajuda a entender por que determinada combinação produz determinado efeito.
E a base perfeita?

Agora chegamos a uma das aplicações mais práticas da colorimetria: a correção de produtos de pele. Sabe aquela base que parecia perfeita no frasco, mas ficou alaranjada quando aplicada? Ou aquela que puxa demais para o rosa? Em vez de abandoná-la imediatamente, é possível fazer pequenos ajustes usando pigmentos corretivos.
A Hype Up, da Mari Maria Makeup, por exemplo, foi desenvolvida justamente com essa proposta. Além das tonalidades de base, a linha oferece pigmentos corretivos em amarelo, branco, preto, vermelho, azul e verde, permitindo personalizar a cor. A lógica segue o princípio da neutralização. O verde ajuda a equilibrar a vermelhidão; o amarelo pode neutralizar tons arroxeados; o vermelho é usado para equilibrar áreas azuladas ou arroxeadas mais profundas. Já azul e verde podem ajudar a corrigir bases excessivamente quentes, enquanto branco e preto alteram principalmente a profundidade da cor.
O segredo está na quantidade. Pigmentos corretivos são extremamente concentrados, então devem ser adicionados aos poucos, misturados gradualmente à base. A ideia não é transformar a maquiagem em um laboratório de cores, mas fazer pequenos ajustes até chegar ao tom desejado.

Mais do que corrigir, é personalizar
Essa possibilidade muda a relação com a base. Em vez de esperar que um único produto corresponda perfeitamente à pele todos os dias, podemos pensar na cor como algo ajustável. Afinal, a pele pode mudar de tonalidade com o bronzeamento, o clima e até a iluminação.
Uma base que funciona no inverno pode parecer clara demais no verão. Outra pode ter a profundidade certa, mas um fundo excessivamente amarelo ou rosado. A colorimetria entra justamente aí: como uma ferramenta para entender o que está acontecendo e ajustar.
Talvez o verdadeiro truque seja justamente esse: em vez de perguntar qual cor é melhor, começar a perguntar o que você quer que ela faça por você naquele dia.